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Teatro Imagem

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No Teatro Imagem, o educando pode expressar-se corporalmente, ampliando sua capacidade de comunicação. Historicamente, somos educados para que nos expressemos essencialmente através das palavras e, paralelamente a isso, que mantenhamos o corpo disciplinado, rígido, dentro de um padrão que é facilmente identificado, por exemplo, numa sala de aula (FOUCAULT, 2004). O Teatro Imagem consiste, grosso modo, em apresentarmos as situações de opressão através do corpo sem o uso de palavras. Há exercícios para que cada um(a) possa desenvolver de forma individual, depois em duplas e, posteriormente, representar objetos ou situações envolvendo pessoas, como se fossem esculturas, ou fotografias (BOAL, 1998). O Teatro Imagem foca-se nas linguagens não verbais a fim de comunicar-se. A partir da leitura da linguagem corporal, busca-se a compreensão dos fatos representados na imagem, sendo esta, uma realidade existente e/ou vivenciada. Os participantes são levados a pensar com imagens, a deba...

Teatro Jornal

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Inspirado nas diferentes manifestações de teatro engajado, Boal, junto com o Teatro de Arena, criou técnicas a partir da leitura de jornais, o que já era chamado de Teatro Jornal ou Teatro Vivo1 , mais uma prática de Agit-Prop reproduzida nos Estados Unidos e União Soviética. Tendo como base esse ponto, Boal tenta distinguir sua prática das outras vertentes do teatro popular, defendendo um teatro produzido segundo o ponto de vista do próprio povo. Para ele havia uma diferença intrínseca entre o teatro feito para o oprimido e aquele feito pelo oprimido. Boal indica o Teatro Jornal como “uma nova categoria de teatro popular. [...] Nela, o próprio povo faz o espetáculo [...] o povo fabrica e consome teatro.” (1979, p.42). Não só o Teatro Jornal, mas todo o trabalho de Boal sofre influência de outros grupos de teatro engajado, como o grupo norte americano The Living News-paper da década de 1930 (BOAL, 1967, p.25). A primeira, Teatro Jornal. Seria ingenuidade pensar em liberdade jornalí...

Entrevista com Silvia Paes, Curinga do Teatro do Oprimido de Boal

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  Silvia Paes é Atriz e Mestre em Artes formada pela Universidade de Brasília - UnB. Licenciada em Educação Artística com Habilitação em Artes Cênicas, pós-graduada em Direção Teatral pela Faculdade de Artes Dulcina de Moraes - FADM, no qual lecionou e assumiu a Direção Acadêmica (2016 a 2018). É Curinga de Teatro do Oprimido e professora-tutora da Licenciatura em Teatro da UAB/UnB. Integra o corpo docente da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal. Trabalhou como consultora do Ministério da Educação e da Secretaria de Segurança Pública do DF em Teatro do Oprimido e como analista de projetos culturais da Lei Rouanet no Ministério da Cultura. A seguir a entrevista com Silvia Paes Larissa Silvestre:  Como está sendo a experiência de dar aula na UnB? É muito diferente em relação às aulas que você ministrava no Dulcina? Silvia Paes:  Está sendo um desafio belo e muito promissor. Digo isso porque sou filha da casa e, claro, estou realizando um sonho de voltar ao d...

O sistema coringa

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  O PAPEL DO CURINGA O seu surgimento vem antes do Teatro do Oprimido, tem origem na época em que Boal era diretor artístico no Teatro de Arena de São Paulo. Assim, para compreender o papel do Curinga no Teatro do Oprimido, é importante começar pelo seu surgimento e sua evolução histórica. CORINGA NO TEATRO DE ARENA: O SISTEMA CORINGA A primeira fase do Curinga se iniciou da experiência do Teatro de Arena de São Paulo, onde os atores e atrizes se revezavam na interpretação dos personagens, mantendo as características do personagem, denominada como sistema coringa.  No ano de 1965, os atores e atrizes do Teatro de Arena de São Paulo, onde Boal era diretor artístico, apresentaram o espetáculo Arena conta Zumbi, sendo o marco da primeira experiência embrionária do Sistema Coringa. Posteriormente, inaugurou-se a segunda fase do Sistema Coringa, tendo o espetáculo Arena conta Tiradentes, apresentado em 1967, como marco referencial desta fase. Neste momento, o Sistema Coringa era aq...

Teatro Fórum

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  Em 1973 Boal começa a desenvolver o Teatro Fórum, no Peru. Nele, o participante intervém na cena, substituindo um dos atores e modificando o curso da ação no sentido do que considera mais correto ou mais desejável. O texto inicial deve apresentar claramente os personagens, identificá-los e identificar sua ideologia, revelada através da expressão corporal dos atores. Estes devem realizar atividades significativas com gestos marcados. Cada gesto e movimento deve ter uma razão de ser. Isso é importante para que, quando o ator for substituído, o espectador não apenas fale, mas atue.  Os participantes  devem ser estimulados  não apenas a verbalizar seus pensamentos, mas a fazê-lo de forma teatral e criativa, utilizando recursos como música, dança, linguagens simbólicas e metafóricas. Na sessão de teatro-fórum, a clareza do Curinga deve ajudar o público a passar de uma compreensão conjuntural de problemas para uma visão estrutural através de questionamentos, onde são fei...

Teatro Invisível

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Após ser exilado pela ditadura em 1971, Boal mudou-se para a Argentina e criou o Teatro Invisível. Esta modalidade do Teatro do Oprimido foi criada com a finalidade de sensibilizar a sociedade para situações de opressões que passam desapercebidas pelas pessoas as quais estão ao redor daquele acontecimento. Um espetáculo invisível pode ser apresentado em qualquer lugar onde sua ação possa realmente acontecer ou já tenha acontecido, como numa rua ou praça, em um supermercado ou na feira, em fila ônibus ou cinema. Os atores iniciam a performance como se estivessem vivendo uma situação real e o público ao redor, o qual não sabe que se trata de uma cena de teatro, participa espontaneamente. Eles se tornam protagonistas inconscientemente. Para estimular a participação do público, é necessário que o tema apresentado seja do seu interesse. Temas atuais e que causem alguma reação, como racismo, homofobia, agressão contra a mulher, etc. Exemplo de teatro invisível Referência bibliográfica: BOAL,...

Teatro do Oprimido e a Pedagogia do Oprimido

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Hoje traremos uma comparação entre o "Teatro do Oprimido" e o livro "Pedagogia do Oprimido" de Paulo Freire. O livro "Pedagogia do Oprmido" foi escrito em 1968 durante o período de exílio de Paulo Freire no Chile, em sua obra ele busca trazer as questões do oprimido e opressor, a luta de classes e a libertação ideológica, tanto ele quanto Boal são inspirados em suas criações por Marx, Lênin e Hegel, entre outros autores que seguem a mesma vertente. Os dois se conheceram entre 1959 e 1960 no Brasil, mas se encontraram algumas outras vezes fora do país, já que assim como Freire, Boal também foi exilado, o que nos leva à circunstância em que as obras surgiram, ambas foram pós-golpe militar e exploraram a temática da libertação do indivíduo oprimido, reconhecer-se nesta posição, assim como transformá-la através da luta, são aspectos contundentes entre os dois e suas criações. No livro "Augusto Boal Arte, Pedagogia e Política" é possível citar: "...