
Inspirado nas diferentes manifestações de teatro engajado, Boal, junto com o Teatro de Arena, criou técnicas a partir da leitura de jornais, o que já era chamado de Teatro Jornal ou Teatro Vivo1 , mais uma prática de Agit-Prop reproduzida nos Estados Unidos e União Soviética. Tendo como base esse ponto, Boal tenta distinguir sua prática das outras vertentes do teatro popular, defendendo um teatro produzido segundo o ponto de vista do próprio povo. Para ele havia uma diferença intrínseca entre o teatro feito para o oprimido e aquele feito pelo oprimido. Boal indica o Teatro Jornal como “uma nova categoria de teatro popular. [...] Nela, o próprio povo faz o espetáculo [...] o povo fabrica e consome teatro.” (1979, p.42). Não só o Teatro Jornal, mas todo o trabalho de Boal sofre influência de outros grupos de teatro engajado, como o grupo norte americano The Living News-paper da década de 1930 (BOAL, 1967, p.25).
A primeira, Teatro Jornal. Seria ingenuidade pensar em liberdade jornalística: jornalismo é ficção a mando dos proprietários, que nele refletem suas ideologias. Mesmo quando dizem a verdade, os jornais dominantes mentem usando técnicas ficcionais, como a diagramação e o tamanho das letras.3 As doze técnicas do Teatro Jornal (1970, Núcleo 2 do Teatro do Arena de São Paulo) permitem desmistificar essa falsa neutralidade transformando notícias e reportagens, ou qualquer material impresso, inclusive a Bíblia e atas sindicais, em cenas teatrais.
BOAL, Augusto. A estética do oprimido. Rio de Janeiro: Editora Garamond LTDA, 2009.
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