O sistema coringa

 


O PAPEL DO CURINGA

O seu surgimento vem antes do Teatro do Oprimido, tem origem na época em que Boal era diretor artístico no Teatro de Arena de São Paulo. Assim, para compreender o papel do Curinga no Teatro do Oprimido, é importante começar pelo seu surgimento e sua evolução histórica.

CORINGA NO TEATRO DE ARENA: O SISTEMA CORINGA

A primeira fase do Curinga se iniciou da experiência do Teatro de Arena de São Paulo, onde os atores e atrizes se revezavam na interpretação dos personagens, mantendo as características do personagem, denominada como sistema coringa. 

No ano de 1965, os atores e atrizes do Teatro de Arena de São Paulo, onde Boal era diretor artístico, apresentaram o espetáculo Arena conta Zumbi, sendo o marco da primeira experiência embrionária do Sistema Coringa.

Posteriormente, inaugurou-se a segunda fase do Sistema Coringa, tendo o espetáculo Arena conta Tiradentes, apresentado em 1967, como marco referencial desta fase. Neste momento, o Sistema Coringa era aquela formado por duas estruturas, a de Elenco (função protagônica e a função coringa) e a de Espetáculo (dedicatória, explicação, episódio, cena, comentário, entrevista e exortação).

Com visto, existia no Teatro de Arena de São Paulo o Sistema Coringa e a função Coringa, que surgiu na segunda fase do Sistema Coringa como um todo. Assim, a função do Coringa do Teatro de Arena evoluiu e chegou ao Teatro do Oprimido, passando a se chamar Curinga, com uma nova e fundamental função.

O CURINGA NO TEATRO DO OPRIMIDO

No Teatro do Oprimido, o Curinga passou a ser aquela pessoa que coordena e facilita as atividades do método, como ministrar oficinas e cursos teóricos e práticos; organizar e coordenar grupos populares; orientar processos estéticos e produções artísticas; dirigir montagens de cenas e de espetáculos; facilitar diálogos teatrais; estimular e articular ações sociais concretas e continuadas; sistematizar teoricamente a experiência prática e; contribuir para o desenvolvimento do método.

O Teatro do Oprimido só pode ser apropriado por quem compartilha generosamente seu saber e sua experiência, cujo método só se aprende ensinando e só se ensina estando aberto para aprender.

Em suma, o Curinga tem a função de mediação entre o espetáculo e a plateia, ministrando as intervenções e realizando as indagações necessárias o melhor desenvolvimento da sessão. O Curinga deve estimular e facilitar o diálogo, por meio de uma comunicação horizontal, que seja investigativa e propositiva.

Quanto mais o Curinga estende a discussão sobre o que está por trás e na base de uma estratégia de atuação opressora, mais condições se tem de encontrar alternativas adequadas de enfrentar, desarticular ou desestruturar esta estratégia.


Referências bibliográficas

BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas. São Paulo: Editora 34, 2019.

BOAL, Augusto. A estética do oprimido. Rio de Janeiro: Editora Garamond LTDA, 2009.

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